segunda-feira, 15 de dezembro de 2008

“Livro no Brasil não é caro, é mais barato que ingresso de futebol”

MÁRIO PRATA - [ 16/11 ]

Daniela JacintoNotícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Para ele, que já retratou a vida em um spa e mostrou que o inferno é trabalhar num banco, entre tantas outras coisas, a internet é a grande aliada da literatura contemporânea. Vale lembrar que Mário Prata foi um dos primeiros escritores a utilizar o recurso da web como um aliado de seus textos. O escritor esteve em Sorocaba no dia 30 de outubro, quando proferiu palestra sobre sua trajetória. Na ocasião, ele anunciou o lançamento de seu novo livro, “Sete Palmos”.
Em tom profético, Mário Prata afirma que vão sair grandes escritores da internet. Aliás, foi ele quem notou o talento de Bruna Surfistinha, a sorocabana Raquel Pacheco, e indicou para sua editora. Prata disse que ela escreve muito bem, mas não deram muita atenção, até que outra editora acabou descobrindo e publicou o trabalho.
Para ele, as editoras deveriam ter caça-talentos na internet. “Deveria ter um editor caçando texto durante 8 horas por dia. Se descobrir dois, a editora pode se dar por realizada, pois essas empresas estão loucas atrás de novos talentos. O futuro e o presente da literatura está ali, na internet”, observa.
Com relação ao velho estigma de que brasileiro não lê pelo alto preço dos livros, Prata não concorda. “As pessoas não lêem e não é pelo preço do livro. Veja bem, o ingresso para um jogo de futebol custa R$ 40 e todo domingo tem 40, 50 mil pessoas no estádio, e em contrapartida, também em todo domingo, ninguém compra esse número de livros”, afirma, concluindo que “então livro no Brasil não é caro, é mais barato que ingresso de futebol”.
É claro que apesar disso, Prata pensa que o livro poderia ser mais barato. “Um livro de R$ 30 custa R$ 5 para a editora fazer, mas é preciso vender a esse preço porque fica 30% para as livrarias, 30% para o distribuidor, 30% para a editora e, adivinhe, 10% apenas para o autor”.
Ainda conforme Mário Prata, durante muito tempo essa profissão permaneceu marginalizada. “Considero Paulo Coelho um grande letrista e foi ele que profissionalizou a categoria de escritor no Brasil. Foi a partir da vendagem de suas obras que as editoras começaram a ‘namorar’ o escritor e ‘roubar’ das outras editoras. Elas passaram a contratar os autores, e então a gente começou a receber um adiantamento para escrever”, conta.
E como é um “horror” que escritor pense em dinheiro, Prata confidenciou que inventou personagens para lidar com essa parte de contrato. “Afinal, para as editoras o Mário Prata não pode exigir que o ambiente tenha ar-condicionado e tal, mas o assessor dele sim”, brincou.
Questionado como se vê inserido na literatura contemporânea, o escritor cita como exemplo a experiência com o livro “Anjos de Badaró”, quando pela primeira vez um autor brasileiro proporcionou a seus leitores o acesso (através da internet) ao desenrolar da história em tempo real. “A partir daquele trabalho comecei a me ligar muito na internet. Aquela foi uma tentativa minha no Brasil, e de Stephen King no mundo. A gente achava que a literatura poderia entrar na internet e hoje tenho certeza que também será o contrário, que os escritores da internet vão entrar para a literatura. Aliás já estão saindo grandes escritores da internet”, afirma. Vanessa Bárbara, cita como exemplo, foi descoberta pelo blog. “E tem uma quantidade muito grande de gente publicando blogs e esse pessoal já está preparado para ser publicado. Nunca nossa língua foi tão usada por jovens como agora. Nunca se leu e escreveu tanto como na internet”, diz.
Para Mário Prata, quem está na internet pode até gastar um tempo com outras coisas, mas no geral ou está escrevendo ou lendo. “Não importa a ortografia, isso não é o mais importante e sim o exercício do pensamento. E os internautas vão aprendendo a escrever. Nos blogs tem muitos tipos de texto, como poesias, crônicas, artigos, e o mais interessante é que existe a possibilidade de fazer comentário, então a interação estimula o novo escritor”.
Entre os escritores contemporâneos, um autor pouco conhecido que indica para leitura é Campos de Carvalho.
Sobre a unificação da Língua Portuguesa, o escritor afirma ser uma das grandes burrices do século 21. “Quando os romanos criaram o império, se existissem filólogos pentelhos ligados a editoras e unificassem o latim, não teríamos hoje o português, o espanhol, o italiano, o romeno e mais umas 10 línguas, cada uma delas com a sua cultura”, critica.
O escritor afirma que conhece Portugal, Angola e Guiné Bissal e na sua opinião não tem sentido juntar as línguas pois o modo de expressão será diferente do mesmo jeito. “O que justifica é o interesse financeiro das editoras, de quem faz dicionário. É burrice dos governos que entraram nessa. São tão pequenas as alterações que não vai mudar nada, vamos continuar não entendendo certas expressões dos outros países. No Brasil, por exemplo, estamos inventando palavras a todo momento”.
Ao falar sobre destaques da literatura brasileira, Mário Prata afirma que gosta de Nelson Rodrigues, sem desmerecer Machado. “O mundo não descobriu a dramaturgia de Nelson. Apesar de Machado ser um grande escritor, ele tinha dois lados fracos, a poesia e a dramaturgia”.
Sobre o que existe de contemporâneo na obra de Machado de Assis, ele afirma ter muita coisa. “Machado foi um escritor à frente de seu tempo e todo bom escritor é contemporâneo. Existe contemporaneidade na literatura dele apesar de seus temas girarem em torno da família e do funcionalismo público, e isso é impressionante”.
Entre as diversas teorias sobre o livro Dom Casmurro, Mário Prata veio com mais uma: “Bentinho tinha ciúme do Escobar. Parece que tinha um caso com ele. Basta ler os trechos que falam só sobre ele para comprovar”.

Três obras de Mário Prata
- Diário de um Magro (Editora Globo)
- Cem Melhores Crônicas (Editora Planeta)
- Purgatório: a Verdadeira História de Dante e Beatriz (Editora Planeta)

Mário Prata indica

Blogs
- Vanessa Bárbara (www.hortifruti.org)
- Bruna Surfistinha (www.brunasurfistinha.com)
- Sérgio Antunes (www.sergioantunes.art.br)

“Ler é muito mais importante que estudar”

ZIRALDO - [ 16/11 ]
Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Para ele, em geral, um menino feliz vira um cara legal. Cartunista e criador do famoso personagem “o Menino Maluquinho”, o mineiro Ziraldo encerrou a programação de palestras da Expo-Literária no dia 1º de novembro, quando falou sobre o tema “Ler é mais importante que estudar”. Uma curiosidade sobre o autor é que ele conhece bem a região de Sorocaba, já que sua irmã viveu aqui durante 10 anos. Simpático e bom de papo (ele adora conversar), Ziraldo não hesita em afirmar “estudar é importante, mas ler é muito mais importante que estudar”.
O autor também fez uma análise sobre a literatura contemporânea. “O negócio é o seguinte: a gente tem uma quantidade de escritores atuando no Brasil no momento de altíssima qualidade. A gente só não tem o prestígio dos escritores espanhóis porque eles escrevem para 13 países que falam esse idioma. E a língua de Cervantes, para a história do mundo, é considerada mais importante que a de Camões, então a gente fica no segundo time”, afirma.
O país, para Ziraldo, tem craques fantásticos na área da literatura. “Machado de Assis, por exemplo, é um dos escritores mais respeitados do mundo. Qualquer escritor de qualidade conhece, cita e fala do Machado. O crítico americano Harold Bloom, por exemplo, que escreveu um livro sobre os escritores mais fundamentais da história da civilização, cita Machado, que é o primeiro grande escritor negro do mundo. Ele era um escritor espantoso, assim como Guimarães Rosa, Carlos Drummond de Andrade, Jorge Amado, e agora até o Paulo Coelho, que acaba de ser aclamado em Frankfurt como um dos maiores intelectuais vivos do mundo. Se a gente escrevesse em espanhol ou inglês já teria ganhado pelo menos uns três nobels de literatura”, acredita.
Conforme Ziraldo, nos outros países, o autor de livro para a criança não é considerado um escritor, com todas as letras. “No Brasil, o escritor para a criança conseguiu esse status, como Ruth Rocha, Ana Maria Machado e Tatiana Belinky, então todos têm a responsabilidade e a condição de escritor”, considera.
Antonio Skármeta, autor chileno da obra que deu origem ao filme “O Carteiro e o Poeta”, conta Ziraldo, é de um país que tem dois prêmios Nobel de literatura (Pablo Neruda e Gabriela Mistral), e em uma conversa que teve com ele, perguntou qual livro infantil era conhecido no Chile. “E ele disse que não conhecia nenhum. Nos outros países há um certo preconceito contra a literatura infantil, e aqui a gente consegue uma respeitabilidade. A literatura infantil no Brasil é de muita qualidade. Esses escritores que citei aqui não têm a pressão do editor, então o escritor consegue escrever o livro sem ter de atender as leis do mercado”.
Questionado se é muito difícil escrever para criança, ele responde: “ou é fácil ou é impossível!”, brinca.
Para Ziraldo, a obra de Machado de Assis como um todo é contemporânea. “Todo grande escritor é sempre contemporâneo porque o ser humano não muda. A gente continua sofrendo pelas mesmas razões, matando pelas mesmas razões, suicidando-se pelas mesmas razões. Arranje um ser parecido com Bentinho, apaixonado por uma mulher como Capitu e coloque um Escobar para ficar com a mulher dele e veja se não vai se comportar como Machado reportou. Até matava o Escobar! De maneira que Machado está falando da alma humana. E o ser humano não muda, o coração do homem não muda. Por isso Machado é um craque, um gênio”.

Três obras de Ziraldo
- O Menino Maluquinho (Editora Melhoramentos)
- Uma Professora Muito Maluquinha (Editora Melhoramentos)
- Menina das Estrelas (Editora Melhoramentos)

Ziraldo indica

Autores de obras para crianças
- Ana Maria Machado
- Ruth Rocha
- Pedro Bandeira

Obras de Machado de Assis
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Dom Casmurro
- As publicadas com o pseudônimo Dr. Semana: “Para quem quiser conhecer um pouco mais da alma do escritor”

“A poesia ainda é uma arte minoritária em questão de público”

ARNALDO ANTUNES - [ 16/11 ]

Daniela JacintoNotícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

Ele é muito conhecido como um artista da música, já que é a área que mais lhe deu visibilidade, mas Arnaldo Antunes (ex-Titãs e Tribalistas) deveria ser reverenciado como um dos grandes poetas dessa geração. Profissional da palavra, sua preocupação é o texto, independente da mídia onde será veiculado. Autor de 14 livros, a maioria de poesias, o escritor e compositor esteve em Sorocaba no dia 31 de outubro, quando fez palestra sobre o tema “Falando de Poesia”. “Sou um artista que trabalha com vários meios, como vídeo, performance, enfim, mas o eixo do meu trabalho é a palavra, que acabo explorando nesses meios todos. Claro que nesses espaços eu tenho o mesmo cuidado que o trabalho que faço com a poesia escrita. O artista tem de ter consciência de cada meio e como atuar, e eu lido muito com a concisão, a clareza, a síntese e o conteúdo em qualquer atividade. São esses nortes que eu acabo prezando no meu trabalho”.
Muito exigente, o poeta afirma que trabalha com rascunhos. “Trabalho os textos até chegar ao essencial. Às vezes, o texto parte de um ponto e acaba até mesmo chegando numa idéia mais interessante”. Como referência de poetas, ele cita Augusto de Campos, Paulo Leminski e João Cabral de Melo Neto, entre tantos outros.
Para Arnaldo Antunes, a poesia ainda é uma arte minoritária em questão de público. “Não só no Brasil, acho que no mundo todo, em comparação às expressões mais midiáticas como televisão, cinema e rádio. A vantagem é que a poesia consegue penetrar nesses meios de alguma forma. No Brasil, temos a música popular, que é a poesia cantada, e essa pode ser uma porta de entrada para a poesia dos livros”.
Sobre a literatura contemporânea, Arnaldo Antunes afirma que tem muita coisa sendo feita. “Não é uma época de movimento literário. Aliás, eu não acredito em movimentos. O que está havendo é uma multiplicidade de caminhos, mas eu acho que dentro desses caminhos tem uma produção poética de qualidade. E o caminho onde a poesia é veiculada se multiplicou, não é só pelo livro, mas cartaz, site, vídeo, camiseta, enfim”, observa.
Arnaldo destaca ainda que hoje em dia as pessoas têm maior acesso aos meios de produção, e que a publicação de livros tornou-se mais fácil. “Com a linguagem digital, você faz tudo no computador. Eu lembro que no começo dos anos 70 a gente fazia livrinho usando recursos do xerox, mimeógrafo, agora ficou mais fácil. Com relação à qualidade, ela vem de uma depuração, própria de quem faz, de quem continua escrevendo. E o próprio tempo faz os ajustamentos”.
Sobre Machado de Assis, Arnaldo o considera um eterno contemporâneo. “Ele continua interessando as novas gerações. Eu, por exemplo, li suas obras com muito fascínio e interesse. Aquilo foi formador e transformador para mim”.

Três obras de Arnaldo Antunes
- As Coisas (Editora Iluminuras)
- 2 ou + Corpos no Mesmo Espaço (Editora Perspectiva)
- Psia (Editora Iluminuras)

Arnaldo Antunes indica

Poetas contemporâneos
- João Bandeira
- Walter Silveira
- Fabiano Calixto

Obras de Machado de Assis
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Dom Casmurro

“Os escritores de hoje acham que literatura é só contar uma história, e não é”

DANIEL PIZA - [ 16/11 ]
Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.

“Eu acho que não são os tempos mais ricos que o Brasil já teve, em termos de qualidade. O país já teve Machado de Assis, Guimarães Rosa, Graciliano Ramos... Por outro lado, hoje existe um mercado editorial muito sólido, cada vez chegando a mais pessoas, inclusive fazendo livros de bolso, de banca, publicando mais e mais livros por ano... Acho também que há bons escritores, que muitas vezes não recebem a devida divulgação”. Essa é a opinião sobre literatura contemporânea do jornalista Daniel Piza, que esteve em Sorocaba no dia 30 de outubro, quando proferiu a palestra “Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro”.
Daniel faz questão de destacar o trabalho de Milton Hatum, autor de “Dois Irmãos”. “Esse é um dos maiores livros publicados nos últimos 15, 20 anos. Também quero ressaltar o trabalho de Carpinejar, que é o melhor poeta de sua geração. E mesmo fora da ficção, do romance, da poesia, você tem grandes historiadores e ensaístas, como o Elio Gáspari, o Ruy Castro... É um momento bom, mas tem de ser lido com a devida serenidade”.
Para ele, a internet veio para acrescentar. “Qualquer coisa relacionada ao mundo da informação está lá, na internet. Mais do que nunca, hoje em dia, e graças a Deus! Quem não gosta de informação é ditador. A primeira coisa que o ditador faz é controlar a informação. A informação está lá e eu celebro isso, evidentemente, mas a grande questão nossa é o que fazer com essa informação”, reflete.
A literatura na internet, conforme Piza, está aumentando. “Tem blogs, muitas obras disponíveis graças à tecnologia dos livros digitais, que está melhorando, e isso não significa que veio acabar com o livro e sim vem acrescentar ao livro. Tem sites de jornais, enfim, muita coisa que dá força para a literatura. Na escola, os professores têm de ajudar os alunos a distinguir o que é uma boa informação, como trabalhar essa informação, contextualizar, debater”.
Ainda de acordo com o jornalista, a reportagem que incorpora recursos literários é uma coisa que tem reaparecido no Brasil nos últimos tempos. “Seja em jornais como o Estadão, revistas como a Piauí, ou ainda livros-reportagem”, afirma. Apesar disso, para ele ainda há uma falha no que se refere ao jornalismo sobre a literatura. “Esse tipo de reportagem perdeu espaço, acredito que pela guerra que existe entre outras áreas como o cinema e a música, que chamam mais a atenção do que a literatura. A crítica ou o debate em torno dos livros, e a sua própria divulgação, como matérias sobre os escritores e reportagens sobre as tendências literárias brasileiras são poucas. Temos bons escritores não conhecidos e temos muitos escritores conhecidos que não são bons”, diz.
Sobre a contemporaneidade na obra de Machado de Assis, Daniel Piza observa que existe muita coisa. “A criatividade verbal dele, com seu texto que mistura humor, filosofia, romance e milhões de recursos lingüísticos, acho que é muito atual, e principalmente pelo que ele diz, literalmente. O Machado tem a bossa da ilegalidade. Ele sempre teve a visão que o Brasil não tem de se dividir entre dois projetos, o europeu e o americano, que o país tem de encontrar o seu próprio caminho como nação”, reflete.
Piza ainda ressalta que a obra de Machado tem uma inquietude muito grande. “Os escritores de hoje acham que literatura é só contar uma história, e não é. Tem de colocar a reflexão filosófica e existencial da época. Dom Casmurro, por exemplo, não é apenas o relato de um suposto adultério. Essa obra reflete o mundo na psicologia de um homem chamado Bentinho e de uma mulher chamada Capitu, com uma profundidade intelectual. Essa inquietude filosófica de Machado é uma coisa que está faltando na literatura de hoje”.

Três obras de Daniel Piza
- Perfis & Entrevistas (Contexto Editora)
- Mistérios da Literatura - Poe, Machado, Conrad e Kafka (Editora Mauad)
- Machado de Assis - Um Gênio Brasileiro (Editora Imesp)

Daniel Piza indica

Autores Contemporâneos
- Milton Hatoum
- Fabrício Carpinejar
- Elio Gáspari

Obras de Machado de Assis
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Dom Casmurro
- Uma antologia de contos que tenha O Alienista e Missa do Galo

“A alegria miúda pode ser épica”

FABRÍCIO CARPINEJAR - [ 16/11 ]

Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 2 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Na parede, um toque pessoal: “Carpinejar e Piza estiveram aqui”, registrado com o spray de espuma, que mais tarde o jovem poeta iria atirar sobre as crianças durante sua palestra no dia 30 de outubro. Com o tema “Fantoche das palavras: ou o feio é mais engraçado que o bonito”, o autor aproveitou para falar de coisas como a importância da família, os amigos e o prazer da leitura. Não esqueceu de ressaltar o afeto. Para ele, é preferível errar pelo excesso do que não dar importância para as pessoas. Irreverente e criativo, Fabrício Carpinejar usou como estratégia para o envolvimento dos pequenos algo muito simples: quem fizesse perguntas levava espuma! Aquela multidão de crianças não teve dúvida, avançou desesperada, na ansiedade de ser contemplada com um pouquinho do spray. “Carpinejar, por que você escreve?”, perguntou um dos garotos. “Porque escrever é uma maneira de melhorar a vida”, explicou o poeta gaúcho, considerado uma das grandes revelações na área da literatura nacional.
Por falar em literatura, na sua opinião, atualmente os escritores têm deixado o verniz acadêmico de lado para voltar a captar e capturar o cotidiano, com toda veracidade e voracidade. “E como é bom o leitor poder enxergar sua cidade, seus hábitos, seus lugares, se sentir participando de uma história”, diz, ressaltando a importância da questão da família na prosa contemporânea. “Um exemplo disso é o livro ‘O Filho Eterno’, de Cristóvão Tezza, que fala da relação dele com o filho, que tem síndrome de Down. Isso é reconhecer a grandeza das pequenas coisas. A alegria miúda pode ser épica”, reflete.
Ainda conforme ele, a internet ampliou o fluxo de informações. “Mas é preciso haver uma ordem, a gente não pode deixar o google ser ditador. É importante confirmar a origem das informações, ter algum cuidado, pois aquilo que é fácil de repente não é bom”, observa.
Carpinejar acredita que a internet facilitou a publicação de textos literários. “Não é mais preciso ter um editor. Além disso, o texto da internet já nasce com público, ou seja, esse meio facilita o contato com o leitor, que é imediato. Eu gosto da internet porque ela permite o diálogo, a interatividade, a possibilidade de perder a timidez, e também a descoberta de novos talentos. No meu caso, os leitores inclusive continuam meus textos”, diz.
Falando sobre contemporaneidade, a partir do próximo ano, os escritores terão de se adaptar a uma nova regra: o acordo ortográfico da Língua Portuguesa. Para Carpinejar, o mais importante será a unificação dos escritores. “O Brasil pouco conhece o que é publicado na África e vice-versa. Nossa entrada lá ainda é tímida. Então, no sentido de divulgação da literatura, sou favorável, desde que não seja um projeto de maquiagem, porque a Língua Portuguesa já é difícil, é uma língua que exige que as pessoas sejam poliglotas no próprio idioma”, considera.
Questionado sobre o que observa de contemporâneo na obra de Machado de Assis, ele prontamente responde: “Tudo! Machado ensinou ao leitor que a leitura não deve ser submissa, parada, mofada. Quando a gente lê, o mundo se move, nossa memória se move, nosso desejo se move. Machado de Assis quebrou aquela sublimação do leitor. Ele chama sua atenção dizendo ‘você tem preguiça’, ‘meu livro é imperfeito por sua causa’, ‘você que tem pressa e não eu’. Essa conversa, essa interlocução, não é bajulatória, é sincera, de desafio. Então pode-se dizer que a partir de Machado a leitura se torna um desafio”.

Três obras de Carpinejar

- O Amor Esquece de Começar (Bertrand Brasil)
- As Solas do Sol (Bertrand Brasil)
- Cinco Marias (Bertrand Brasil)

Carpinejar indica

Blogs
- Frankamente, de Lúcia Carvalho (www.frankamente.blogspot.com)
- Vitrola dos Ausentes, de Paulo Ribeiro (www.vitroladosausentes.blogspot.com)
- Terra do Nunca, de Diana e Mário Corso (www.clicrbs.com.br/terradonunca)

Escritores contemporâneos
- Luiz Ruffato
- Mário Araújo
- Menalton Braff

Obras de Machado de Assis
- Memórias Póstumas de Brás Cubas
- Missa do Galo
- Dom Casmurro
Fonte:

Balanço da Expo Literária - [ 16/11 ]

Secretário da Cultura quer contagiar mais os escritores sorocabanos na próxima edição

Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Mais de 40 autores sorocabanos
estavam representados nos estandes

Aproximadamente 13.700 pessoas passaram pela Expo Literária, conforme informações do secretário de Cultura Anderson Santos. Esta segunda edição do evento contou com 48 atrações, entre bate-papo com escritores, contação de histórias, palestras e recreações, resultado do investimento de R$ 135 mil. Pela estrutura montada em frente à Biblioteca Municipal de Sorocaba, com tendas e estandes, já dava para notar o crescimento do evento. Com relação à divulgação dos autores, somente o escritor Laé de Souza vendeu 8 mil livros, número alto, mas deve-se levar em conta que as obras custavam apenas R$ 1. Mais modesto foi o resultado da venda de livros dos autores sorocabanos: 80. Vale lembrar que a participação dos escritores locais ainda foi tímida. Em apenas uma mesa couberam as obras dos sorocabanos, que totalizaram cerca de 40 autores (incluindo o estande da equipe Sorocult - site de escritores).
Anderson Santos avalia a segunda edição da Expo Literária de forma positiva, enquanto construção de processo. “Se for considerar o público, conseguimos uma maior participação, tanto no que se refere à segmentação e direcionamento também. Tivemos um aproveitamento maior em termos numéricos e de qualidade. Sei que temos muito ainda para consertar, por isso vamos sentar com os autores sorocabanos para ver como alavancar a venda deles, dar um destaque maior para suas obras, mas acho que estamos no caminho certo”, afirma.
Para Anderson, o intercâmbio com autores consagrados foi interessante pois estes acabam trazendo seus fãs para a mostra e, estando naquele espaço, o público pode também conhecer os valores locais. “Valeu a pena. Inclusive no que se refere ao aproveitamento. Durante as palestras, as perguntas eram totalmente pertinentes, dava para perceber que tratava-se de um público que tinha conhecimento sobre o autor. Também conversei com todos os palestrantes, e eles saíram impressionados com a participação, em termos de pergunta, abordagem”, destaca.
O secretário também comentou sobre o crescimento do evento: a primeira edição da Expo Literária foi menor e menos expressiva, conforme Anderson, pela falta de experiência nessa área. “Nunca tínhamos organizado nada nesse sentido. Então agora, para este ano, conseguimos incrementar mais, fizemos parceria com a Secretaria de Educação, que participou com seus projetos. Mas deu para perceber que no ano que vem terá de crescer ainda mais em termos de estrutura, pois tinha gente sentada no chão”.
Melhorias
Entre os pontos que o secretário Anderson Santos pretende melhorar para o próximo ano, está o desejo de contagiar mais os escritores sorocabanos. “Temos muito mais que 40 autores na cidade, agora qual seria o meio para contagiarmos? Será que estamos fazendo a comunicação correta? Não sei. Sei que estamos convidando para participar, que chamamos todas as entidades representativas de escritores e pessoas envolvidas com a literatura em Sorocaba... A participação foi boa, mas poderia ser melhor. Minha pergunta para os autores é o que temos de melhorar? Então um pensamento que tenho para o ano que vem é manter a qualidade de palestrantes e público, e incentivar ainda mais o escritor sorocabano”.
Anderson também pretende, para 2009, aumentar o número de oficinas e criar ambientes voltados para a leitura. “Para a pessoa comprar o livro e ler ali mesmo. Então a idéia é criar um oásis de leitura, com sofá, almofada e tapetão”.
De acordo com o secretário, foi oferecido para todas as instituições de cunho social e não-comerciais um estande gratuito para a divulgação de seus trabalhos. Já as editoras que comercializam livros alugaram o espaço. Também os escritores locais ganharam um estande para exposição e venda de suas obras.
Sobre a distribuição dos convites para as palestras dos escritores renomados, eles ficaram restritos a uma minoria, pois a maioria do público não sabia como retirar. “Abrimos agendamento através de telefone e ainda mandamos convites para as escolas”, explica o secretário, que pretende melhorar também nesse item, para o próximo ano.
Esta edição da Expo Literária contou com grande participação de estudantes, mas o público em geral, que trabalha durante a semana, só teve a parte da noite ou o sábado para prestigiar. “Esse é um evento que se destina ao incentivo à leitura, voltado principalmente à criança alfabetizada e ao jovem, mas abrimos agendamento para a cidade toda. O que pode ser feito é ampliar para sábado e domingo, para o público em geral poder participar mais”, esclarece.
A curadoria do evento esteve a cargo da equipe das secretarias de Cultura e Educação, através de seus respectivos secretários, Anderson Santos e Maria Teresinha Del Cistia, e funcionários Margarete Moreno Silveira, Eduardo Egea, Valderez Luci Moreira Soares, Tânia Kalil e Paulo de Tarso, além das entidades representativas dos escritores de Sorocaba.

Mapa da literatura contemporânea - [ 16/11 ]

Escritores da cidade comentam as perspectivas na área
Daniela Jacinto
Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Na opinião de escritores e de representantes de entidades literárias da cidade, o momento, em Sorocaba, é um dos mais expressivos no que diz respeito à produção literária, com muitos autores conseguindo publicar seus trabalhos. Agora a batalha é pelo aprimoramento, para que, no futuro, Sorocaba possa projetar nomes na literatura nacional.
Conforme o presidente da Academia Sorocabana de Letras, Geraldo Bonadio, basta verificar o que foi publicado pela Lei de Incentivo à Cultura (Linc) nos últimos anos para constatar que “as coisas parecem estar ocorrendo bem, apesar de precisarmos de algumas iniciativas específicas para encorajar novos autores”. Para Geraldo, é necessário oferecer aos escritores condições de produzir e publicar romances, e ter esse trabalho criticado com profundidade. “E essa necessidade não é suprida pelas antologias, já que esse tipo de trabalho busca reunir autores com o objetivo de baratear custos”, considera.
Ainda de acordo com ele, eventos como a Expo Literária são muito importantes. “A gente precisa mesmo de uma série de programas e iniciativas que familiarizem um número cada vez maior de pessoas com as melhores manifestações da literatura, porque como regra o escritor vai se formando através de suas próprias leituras, conhecendo e testando experiências estéticas, para poder desenvolver e embasar sua criação”, afirma.
Geraldo Bonadio diz que já chegou a ver trabalhos em que a idéia era boa, mas que os autores pecavam na linguagem. “O nível de expressão não correspondia à necessidade de uma obra daquela natureza. Isso acontece porque o livro é uma coisa cruel para o autor, mesmo. Então, eu acredito que nessa área precisamos avançar muito, promover mais iniciativas que busquem o contato maior do leitor sorocabano com os autores contemporâneos”.
Para Tânia Orsi, presidente do grupo Coesão Poética, os últimos anos têm registrado uma maior manifestação dos escritores sorocabanos. “Acho que esse é o resultado da união de alguns escritores, que começaram a promover movimentos, e toda essa manifestação resultou na Expo Literária. Se não existissem esses grupos, talvez a cidade não tivesse um evento como esse”, acredita e acrescenta: “Escrever por si só é um trabalho solitário, então a tendência de muitos é guardar seus textos, deixar na gaveta mesmo, ou apresentar apenas para a família. O nosso grupo tem a idéia de tirar o escritor do anonimato que vivia. E eu penso que sempre houve bons escritores em Sorocaba, só que agora é que eles estão se mostrando”.
O escritor Jairo Valio também avalia de forma positiva a realização da Expo Literária. “Com essa segunda edição do evento, Sorocaba deu um passo muito importante no crescimento da literatura. A cidade tem grupos muito bons de literatura, mas isolados. Acho que tudo isso teria de ser agregado, as pessoas deveriam se unir para divulgar, para incentivar mais pessoas a se interessarem pela leitura, principalmente crianças e adolescentes”, acredita.
Para Jairo, eventos como a Expo Literária ajudam a fomentar a literatura em Sorocaba. “E como escritor, esse é meu sonho. Mas mesmo dentro da Expo, o escritor sorocabano ainda está mal divulgado. Eu gostaria que o sorocabano soubesse quem são os escritores de sua cidade”.
Integrante da equipe do site Sorocult, Jairo conta que tem participado de diversos projetos ligados à área do estímulo à leitura. “Vamos até as escolas e entidades e distribuímos gratuitamente os livros. Temos também um trabalho muito bonito na Pastoral do Menor, na área da literatura infantil”, afirma.
Para o escritor e agitador cultural Armando Oliveira Lima, de uns tempos para cá a literatura local se desenvolveu bastante em termos de qualidade e quantidade. “Penso eu que isto decorre também do surgimento de algumas editoras, que tem facilitado a publicação de obras. Em Sorocaba o problema não é de produção e sim de distribuição”, afirma.
Armando Oliveira Lima diz que o sorocabano ainda não tem mercado para vender grandes quantidades de livro, mas que tem produzido muito, isso tem. “No ano que vem, realizo o 10º Depoesia, evento em que aparecem mais de 100 poetas. Eu sempre fui um divulgador da poesia pois acredito que ela seja a porta de entrada para a pessoa começar a escrever, sentir esse prazer”.
Para ele, um evento como a Expo Literária é muito importante, assim como a realização de outras iniciativas, como a Semana do Escritor, organizada por Douglas Lara, e o Poesia em Debate, do Instituto Literário “Paulo Tortello”, entre tantos outros.
Questionado como os autores locais podem se tornar conhecidos pelos leitores, Armando Oliveira Lima afirma que unir-se está em primeiro lugar. “Uma coisa importante é que os escritores da cidade aprenderam a fazer coletânea, se reunindo no sistema de cooperativa, o que é muito positivo”, diz.

Geraldo Bonadio indica
Autor de “Reflexões”, obra publicada pela “Fundação Ubaldino do Amaral”, Geraldo Bonadio destaca obras de três autores sorocabanos:
- “Resumo de Ana”, de Modesto Carone (Companhia das Letras)
- “Amor, de Novo”, de José Rubens Siqueira (Companhia das Letras, tradução de Doris Lessing, escritora britânica premiada com o Nobel de Literatura em 2007)
- “O Anjinho dos Pés Tortos”, de Edgar Steffen (Ottoni Editora)

Tânia Orsi indica
A escritora, participante da coletânea “Rumores”, da editora O Clássico, indica para a leitura as seguintes obras de autores locais:
- “Rubião, o Velho”, de Jorge Facury Ferreira (Crearte Editora)
- “O Tratado”, de Roberto Rodrigues (Ottoni Editora)
- “O Caçador de Milagres”, de Wagner Ferreira (Ottoni Editora)

Jairo Valio indica
O autor de “Nascente das Águas” (Ottoni Editora) indica para leitura:
- “O Anjinho dos Pés Tortos”, de Edgar Steffen (Ottoni Editora)
- “Caminhos Mesclados”, de João Rozas Barrios (Ottoni Editora)
- “Iguatemi, a Maldita”, de Rogich Vieira (Ottoni Editora)

Armando Oliveira Lima indica
O autor de “Emília no Mundo dos Livros” indica as seguintes obras de sorocabanos:
- “Scenas da Escravidão”, de Carlos Carvalho Cavalheiro (Crearte Editora)
- “A Vingança do Tropeiro”, de Benedito Walter Marinho Martins
- “Cicatrizes”, de Maria José dos Reis Cardoso

Entidades que trabalham com a literatura em Sorocaba
Academia Sorocabana de Letras - presidente Geraldo Bonadio - contato 3011-5317
Casa do Escritor da Região de Sorocaba (Ceres) - presidente Douglas Santos - contato 3014-0285
Grupo Coesão Poética - presidente Tânia Orsi - contato 3231-0196
Instituto Literário “Paulo Tortello” (Poesia em Debate) - presidente Lourdinha Blagitz - contato 3013-8013
Núcleo Clic Arte & Letras de Sorocaba e Região (equipe do site Sorocult) - presidente Neusa Padovani Martins - contato npadovanimartins@terra.com.br
Gabinete de Leitura Sorocabano - presidente João Oliveira Verlangieri - contato 3232-0768

Balanço da Expo Literária - [ 16/11 ]

Secretário da Cultura quer contagiar mais os escritores sorocabanos na próxima edição

Daniela Jacinto
BRUNO CECIM




Notícia publicada na edição de 16/11/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 4 do caderno D - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


Mais de 40 autores sorocabanos
estavam representados nos estandes

Aproximadamente 13.700 pessoas passaram pela Expo Literária, conforme informações do secretário de Cultura Anderson Santos. Esta segunda edição do evento contou com 48 atrações, entre bate-papo com escritores, contação de histórias, palestras e recreações, resultado do investimento de R$ 135 mil. Pela estrutura montada em frente à Biblioteca Municipal de Sorocaba, com tendas e estandes, já dava para notar o crescimento do evento. Com relação à divulgação dos autores, somente o escritor Laé de Souza vendeu 8 mil livros, número alto, mas deve-se levar em conta que as obras custavam apenas R$ 1. Mais modesto foi o resultado da venda de livros dos autores sorocabanos: 80. Vale lembrar que a participação dos escritores locais ainda foi tímida. Em apenas uma mesa couberam as obras dos sorocabanos, que totalizaram cerca de 40 autores (incluindo o estande da equipe Sorocult - site de escritores).
Anderson Santos avalia a segunda edição da Expo Literária de forma positiva, enquanto construção de processo. “Se for considerar o público, conseguimos uma maior participação, tanto no que se refere à segmentação e direcionamento também. Tivemos um aproveitamento maior em termos numéricos e de qualidade. Sei que temos muito ainda para consertar, por isso vamos sentar com os autores sorocabanos para ver como alavancar a venda deles, dar um destaque maior para suas obras, mas acho que estamos no caminho certo”, afirma.
Para Anderson, o intercâmbio com autores consagrados foi interessante pois estes acabam trazendo seus fãs para a mostra e, estando naquele espaço, o público pode também conhecer os valores locais. “Valeu a pena. Inclusive no que se refere ao aproveitamento. Durante as palestras, as perguntas eram totalmente pertinentes, dava para perceber que tratava-se de um público que tinha conhecimento sobre o autor. Também conversei com todos os palestrantes, e eles saíram impressionados com a participação, em termos de pergunta, abordagem”, destaca.
O secretário também comentou sobre o crescimento do evento: a primeira edição da Expo Literária foi menor e menos expressiva, conforme Anderson, pela falta de experiência nessa área. “Nunca tínhamos organizado nada nesse sentido. Então agora, para este ano, conseguimos incrementar mais, fizemos parceria com a Secretaria de Educação, que participou com seus projetos. Mas deu para perceber que no ano que vem terá de crescer ainda mais em termos de estrutura, pois tinha gente sentada no chão”.
Melhorias
Entre os pontos que o secretário Anderson Santos pretende melhorar para o próximo ano, está o desejo de contagiar mais os escritores sorocabanos. “Temos muito mais que 40 autores na cidade, agora qual seria o meio para contagiarmos? Será que estamos fazendo a comunicação correta? Não sei. Sei que estamos convidando para participar, que chamamos todas as entidades representativas de escritores e pessoas envolvidas com a literatura em Sorocaba... A participação foi boa, mas poderia ser melhor. Minha pergunta para os autores é o que temos de melhorar? Então um pensamento que tenho para o ano que vem é manter a qualidade de palestrantes e público, e incentivar ainda mais o escritor sorocabano”.
Anderson também pretende, para 2009, aumentar o número de oficinas e criar ambientes voltados para a leitura. “Para a pessoa comprar o livro e ler ali mesmo. Então a idéia é criar um oásis de leitura, com sofá, almofada e tapetão”.
De acordo com o secretário, foi oferecido para todas as instituições de cunho social e não-comerciais um estande gratuito para a divulgação de seus trabalhos. Já as editoras que comercializam livros alugaram o espaço. Também os escritores locais ganharam um estande para exposição e venda de suas obras.
Sobre a distribuição dos convites para as palestras dos escritores renomados, eles ficaram restritos a uma minoria, pois a maioria do público não sabia como retirar. “Abrimos agendamento através de telefone e ainda mandamos convites para as escolas”, explica o secretário, que pretende melhorar também nesse item, para o próximo ano.
Esta edição da Expo Literária contou com grande participação de estudantes, mas o público em geral, que trabalha durante a semana, só teve a parte da noite ou o sábado para prestigiar. “Esse é um evento que se destina ao incentivo à leitura, voltado principalmente à criança alfabetizada e ao jovem, mas abrimos agendamento para a cidade toda. O que pode ser feito é ampliar para sábado e domingo, para o público em geral poder participar mais”, esclarece.
A curadoria do evento esteve a cargo da equipe das secretarias de Cultura e Educação, através de seus respectivos secretários, Anderson Santos e Maria Teresinha Del Cistia, e funcionários Margarete Moreno Silveira, Eduardo Egea, Valderez Luci Moreira Soares, Tânia Kalil e Paulo de Tarso, além das entidades representativas dos escritores de Sorocaba.

Passo Fundo (RS) tem maior índice de leitores do país

por André Trigueiro

Nosso programa é sobre iniciativas bem sucedidas de estímulo à leitura em nosso país. Em média, cada brasileiro lê menos de dois livros por ano. A repórter Roberta Salinet mostra o que tem feito a diferença em Passo Fundo (RS), onde a média de leitura é de 6,5 livros por habitante/ano.

A palavra falada, escrita, contada, pensada ou não pronunciada, seja qual for a forma que tenha, sempre fez parte da minha vida. Li muito durante a minha infância e sigo assim até hoje. Sempre me comoveu demais saber que meu pai, já falecido, havia lido uma enciclopédia inteira numa biblioteca pública de Passo Fundo porque não tinha dinheiro para comprar livros. Antes de me formar jornalista me formei professora de literatura. Por isso a leitura faz parte da minha vida, tanto, tanto, que me arrisquei a falar um pouco sobre isso antes de contar a experiência maravilhosa que foi para mim produzir essa matéria para o Cidades e Soluções.

Passo Fundo é uma bela cidade de 185 mil habitantes no norte do Rio Grande do Sul e assim como tantas outras tem problemas nas áreas de segurança, saúde… estamos no Brasil.

Mas Passo Fundo é diferente de todas as outras cidades brasileiras quando o assunto é leitura, literatura. Isso porque a cidade é palco de um encontro sem igual, que a cada dois anos reúne escritores e leitores: a Jornada Nacional de Literatura.

Na preparação para os encontros, os alunos das redes particular e pública têm contato com as obras, discutem em sala de aula e se preparam de tal forma, que quando encontram os autores já estão íntimos dos livros.

A conseqüência desse namoro com a literatura é concreta: o maior índice de leitores do país. Uma média por habitante de 6,5 livros lidos ao ano, três vezes maior do que a brasileira.

Bem, assim que recebemos o convite, feito pela equipe do programa, para contar a solução adotada por Passo Fundo para atingir esse índice, partimos eu e o repórter cinematográfico Jeferson Barbosa. A produção do VT teve o auxílio da produtora Natália Fávero.

Isso foi depois de um domingo inteiro de orações para que o tempo melhorasse e que a chuva, que tem sido constante aqui no sul, nos desse uma trégua. Deu certo.

Na nossa jornada encontramos seu Martins, motorista do ônibus Fabuloso, uma biblioteca itinerante que percorre as escolas do município. Logo que gravei a entrevista com ele tive certeza de que tudo sairia conforme o esperado. Seu Martins passa horas com os olhos grudados nos livros enquanto as crianças visitam o Fabuloso.

“A leitura transforma, abre a mente, me faz ser um pessoa provida de senso crítico, é a faculdade que eu não pude fazer”, me disse ele.

Bem, depois disso ainda visitamos o Mundo da Leitura, um espaço da Universidade de Passo Fundo (UPF), onde alunos especiais da APAE se divertiam com um teatro de sombras, conferimos a alegria dos estudantes no Largo da Literatura e por fim, contamos a história de Gustavo Melo, um jovem escritor pernambucano que trocou o mar pelo frio de Passo Fundo. Tudo isso mostrado através da percepção estética apuradíssima do Jeferson, que é incansável em buscar ângulos novos para ressaltar a beleza das cenas…

Bem, está sendo uma delícia dividir com os telespectadores a alegria de perceber que há soluções para problemas considerados graves, como a questão da leitura em nosso país.

E se o exemplo do Circo das Letras, idealizado em Passo Fundo por uma professora chamada Tânia Rösing, hoje reconhecida por alguns dos maiores escritores do Brasil e do Mundo, inspirar alguém que assita a reportagem a fazer o mesmo em sua cidade, nosso trabalho vai ter valido ainda mais a pena.

Roberta Salinet

repórter da RBS TV - Passo Fundo

Fonte:07 novembro de 2008.

Boletim Jornada Literária da UPF.

Concurso de Apoio a Projetos de Publicação de Livros no Estado de São Paulo.



Olá amigos e amigas! Segue o presente que ganhei de aniversário e final de ano: Conforme publicação no Diário Oficial do Estado do dia 26/11/2008, o projeto 'Outros silêncios' foi selecionado no ProAC Edital nº 15 - Concurso de Apoio a Projetos de Publicação de Livros no Estado de São Paulo.


Foram selecionados 30 projetos/livros (cerca de 140 projetos foram inscritos).


Agora que o contrato foi devidamente assinado, posso comentar/comemorar com os amigos (as); o livro está previsto para o mês de abril (estou fazendo a última revisão antes de enviar para editora).


Abraços poéticos desse amigo,

José Geraldo Neres


Algumas dicas para quem quer escrever livros


Rodrigo Capella*.
Especial para o Diário de Cuiabá.

Nesse domingo, vou responder mais algumas dúvidas dos leitores e oferecer outros elementos fundamentais para quem quer ser um bom escritor. Pegue um lápis e um bloco de anotações e vamos em frente. Preste atenção em todas as respostas, pois elas se complementam a todo instante, parágrafo a parágrafo. Johny Alves me enviou a seguinte mensagem: “Li o último artigo do senhor e esclareci muitas dúvidas, porém continuo com uma: antes de apresentar um livro a uma editora, o autor tem que fazer alguma coisa para não plagiarem a obra dele, tal como os cientistas fazem, para não roubarem as idéias? Muito obrigado por seus conselhos aos futuros escritores. Abraços, Johny”.

Amigo Johny, muito interessante e pertinente essa sua pergunta. Já participei de vários debates com editores e eles sempre defendem que o autor não precisa registrar o livro, pois as editoras fazem isso antes de publicá-lo. Eu discordo dos editores e aconselho os jovens autores a entrarem em contato com a Biblioteca Nacional pelo site www.bn.com.br. Lá tem todas as informações.

Mas, um alerta se faz preciso: esse registro não garante que, por exemplo, a idéia de sua obra não vai ser copiada. Até porque o registro não protege a idéia, mas sim o conteúdo da obra. Resumindo: é uma pequena garantia que você tem, mas é melhor do que nada. Se a editora gostou de uma obra de um autor desconhecido, ela pode, por exemplo, pegar a idéia central e encomendar uma obra semelhante a um autor famoso. Nesse caso, ela simplesmente ignora o livro do autor desconhecido. Esse tipo de postura ocorre com certa frequência. Portanto, capriche na apresentação dos originais, revise seu texto, reescreva-o e faça as correções necessárias.

Rafael Coelho apresentou-me, via e-mail, uma idéia de livro e fez algumas perguntas. Acompanhe uma parte da mensagem: “Fala Rodrigo! Sou jovem, tenho apenas 22 anos e no ano passado comecei a escrever um livro chamado "Outras histórias do 174", que retrata a vida de pessoas que andavam diariamente no ônibus 174, aquele da tragédia na cidade do Rio de Janeiro. A idéia é olhar dentro de universo (o ônibus) e coletar boas histórias, fatos da vida de tantas pessoas que andavam na linha 174. "Outras Histórias do 174" quer ir por outro caminho, mostrando que tudo na vida tem seus dois lados, mas que na maioria das vezes valorizamos a parte ruim. Então... Eu arquivei o projeto. Devido a 1001 coisas que venho fazendo acabei parando de escrever. Mas, retornei com o projeto. O que você achou do livro? Às vezes acho que o tema é fraco. Outras, acho que tem uma proposta bacana. Um professor o considerou oportunista! E você, o que acha? Quais editoras você acha que, ao menos, leriam o livro? Forte abraço, Rafael.”

Amigo Rafael, você tem um belo projeto pela frente. Gostei bastante do título da obra e da proposta. Um projeto como esse exige uma ampla pesquisa e a coleta de inúmeras informações inéditas. Trata-se, portanto, de um livro ousado, que precisa ser bem conduzido para não ficar sensacionalista.

Primeiramente, você precisa se dedicar e ter motivação pelo trabalho. Não adianta fazer 1001 coisas ao mesmo tempo. Pense, respire e viva para escrever. O melhor escritor é aquele que sonha escrevendo e escreve acordado. Uma distração qualquer pode colocar tudo a perder. Lembre-se: esse é o projeto da sua vida e você deve interpretá-lo como tal. Nunca desista, nunca abandone um livro, por mais simples que ele parece. O verdadeiro autor é capaz de transformar uma história inútil em um best-seller.

Um segundo conselho: antes de escrever, pense no público; pense em um diferencial e procure histórias que realmente merecem ser contadas. O escritor precisa ter uma sensibilidade apurada para captar essas histórias. Uma última dica: escreva e, somente depois de terminar o livro, pense nas editoras. Se o projeto for bom, elas vão ler; se ficar ruim, jogaram fora. Essa é a regra do jogo. Seja bem-vindo a ele!

A última dúvida de hoje foi-me enviada por Heloisa Mattos. Ela disse assim: “Caro Rodrigo, venho acompanhando os seus artigos e gostaria de lhe perguntar algo: estou em vias de publicar o meu primeiro livro e tenho curiosidade de saber se a crítica literária brasileira aceita os nossos escritores. Beijos, Heloisa”. Amiga Heloisa, o Brasil não tem, atualmente, uma crítica literária competente. Apenas, uma pessoa consegue captar a essência da obra e transformar em argumentos coerentes. Essa pessoa chama-se Miguel Sanches Neto. As demais, escrevem resenhas, comentários ou observações; e não críticas.

Vou contar um caso curioso: uma crítica da Folha de S. Paulo comentou o ótimo livro “Negócios de Família”, de Domingos Pellegrini Jr, dizendo que o autor não tinha evoluído e que continuava escrevendo como há vinte anos. Detalhe: o livro que ela tinha lido era de vinte anos atrás e tinha sido apenas republicado. Veja como faltou preparo. A crítica brasileira precisa se renovar!

Bom, até o próximo domingo.

(*) Rodrigo Capella é escritor e poeta. Autor de doze livros, entre eles “Enigmas e Passaportes”, “Como mimar seu cão”, “Transroca, o navio proibido”, “Poesia não vende” e “Rir ou chorar”. Informações: www.rodrigocapella.com.br
http://www.diariodecuiaba.com.br/detalhe.php?cod=331888
Fica aí uma dica muito interessante para quem gosta de ficar por dentro do cenário cultural de Sorocaba e região:



CENÁRIO CULTURAL

Este site é um espaço para informações e divulgações de eventos culturais e literários que acontecem em Sorocaba e Votorantim.
O Cenário Cultural traz informações sobre teatro, literatura, agenda, dicas de leitura, música, artes, espetáculos, palestras e outras.

Equipe:
Cintian Moraes, jornalista especializada em webjornalismo, responsável pelo site e pelo projeto.
Sonia Orsiolli, webdesigner, intercessora e idealizadora do projeto.
Rozângela Inojosa Galindo, antropóloga cultural, responsável pelas dicas de leitura e apoiadora.
Serânia Silva, desenhista e colaboradora.

Uma língua, muitos povos

EDITORIAL - [ 27/10 ]
Uma língua, muitos povos

Notícia publicada na edição de 27/10/2008 do Jornal Cruzeiro do Sul, na página 3 do caderno A - o conteúdo da edição impressa na internet é atualizado diariamente após as 12h.


O português amadureceu durante séculos naquela parte do continente europeu,
até que as grandes navegações do Século XV o semeassem por todo o mundo

Deixando a polêmica de lado - há quem afirme que tudo não passa de articulação de editores, para ampliar o mercado de livros didáticos e dicionários -, o Acordo Ortográfico assinado pelos líderes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa deverá tornar mais simples as regras de acentuação, além de oficializar o uso do k, do y e do w, que, na prática, já convivem com as 23 letras do alfabeto e o c cedilha em livros de referência como o Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.
Para os brasileiros, o início da vigência das novas regras a partir de 2009 (com três anos para adaptação, nos quais será facultativo escrever de ambas as maneiras) deverá levar a um contato mais aprofundado com a chamada norma culta da língua. E, como ficou registrado no excelente trabalho de reportagem do jornalista Fernando Guimarães, publicado no Caderno de Domingo deste jornal (Veja como será a nova Língua Portuguesa, 26/10/2008, págs. D1 a D4), não se descarta certa dose de desconforto, especialmente para as crianças que começaram a aprender a ortografia de um jeito e, agora, terão que assimilá-la de outro.
Mas a mudança ortográfica é vista com otimismo por muitos especialistas, que apontam, entre os possíveis benefícios, uma integração cultural mais expressiva entre os países lusófonos. Estamos falando de um universo de 230 milhões de pessoas, que faz do português a sétima língua mais falada dentre as mais de 6.700 existentes no mundo, e tem no Brasil, com 190 milhões de habitantes, o país com maior número de falantes.
Formado a partir do século IX, do encontro do Latim dos dominadores romanos com as línguas faladas na região da Península Ibérica (daí afirmar-se que é uma língua neolatina e românica), o português amadureceu durante séculos naquela parte do continente europeu, até que as grandes navegações do Século XV o semeassem por todo o mundo. Quem observa a presença lusófona no mapa-múndi percebe claramente como a língua se irradiou a partir de Portugal, cruzando o oceano Atlântico e contornando o continente africano a bordo das caravelas.
É claro que a língua, apesar de representar um elo fortíssimo, não é suficiente para construir, por si só, uma identidade cultural entre os povos que a adotam oficialmente (caso de Brasil, Portugal, Angola e Moçambique, entre outros) e daqueles onde é falada por uma parte da população, ao lado de línguas e dialetos locais (como Macau e Timor). Mais que a forma, a língua é um conjunto de signos lingüísticos, e estes, naturalmente, apresentam grandes variações não apenas de um país para outro, mas até mesmo entre regiões de um mesmo país.
Ainda assim, é interessante notar como a literatura e, mais recentemente, a internet, com seus mecanismos de busca que permitem pesquisar nas páginas em português, lançam pontes entre povos com realidades tão distintas. No ano passado, um texto publicado nesta coluna (Uma mulher atual, 08/03/2007) foi reproduzido no jornal on-line O Liberal, de Cabo Verde, arquipélago localizado a 640 km da costa africana, que adota o português como língua oficial. Desde 2004, as antologias literárias organizadas pelo editor sorocabano Douglas Lara contam com a participação de autores de Portugal e Angola.
Em que grau a unificação ortográfica irá estimular esse intercâmbio, é impossível afirmar por enquanto. Pelo menos na literatura, as diferenças ortográficas não foram, até aqui, obstáculos relevantes. Mas o mesmo não se pode dizer dos livros paradidáticos, usados nas escolas para estimular a leitura e permitir a reflexão sobre temas atuais - e que poderão ampliar seu mercado, na medida em que deixem de contrariar normas ortográficas regionais.
De toda maneira, a unificação ortográfica já produziu um benefício: permitir que muitos brasileiros se percebam integrantes de um contexto lingüístico e cultural que vai muito além das fronteiras do país em que vivem.

sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Escritor, inscreva-se na 2ª Expo Literária.


Escritor, inscreva-se na 2ª Expo Literária.


Escritor, inscreva-se na 2ª Expo Literária. A Expo Literária está recebendo inscrições de escritores interessados em divulgar suas obras. As inscrições vão de 22 a 24 de outubro e devem ser feitas na Biblioteca Municipal. O autor interessado poderá participar com três títulos, deverá deixar seis livros na exposição e repor os exemplares que forem vendidos no evento. O autor ainda terá acesso ao auditório para palestras e lançamentos, desde que agendado com antecedência.


O evento literário reúne importantes escritores de toda a região em três dias de exposições, palestras, bate-papos e workshops. Neste ano, a Expo homenageia os 100 anos de falecimento do escritor Machado de Assis com uma tenda para 500 pessoas onde serão ministradas palestras e contações de histórias. Para as crianças e os jovens, haverá também uma tenda no parque de diversões do Paço Municipal com ensinamentos de literatura, teatro e didática para crianças. Os estandes dos livros serão montados em uma tenda onde também haverá a 'Mostra da Educação' que será realizada pela Secretaria da Educação. Neste ano, o evento será em tendas montadas ao redor da biblioteca para não atrapalhar os leitores.


A Expo Literária acontecerá nos dias 30, 31 e 01 de novembro ao redor da Biblioteca Municipal 'Jorge Guilherme Senger', localizada na Rua Ministro Coqueijo Costa, 180, Alto da Boa Vista – Sorocaba/SP. Os horários são: quinta-feira e sexta-feira das 8h às 22h e no sábado das 10h às 17h. Confira a programação no site da Prefeitura http://www.sorocaba.sp.gov.br/


Informações pelo telefone (15) 3228-1955.

Cintian Moraes - jornalista contato@cintianmoraes.com.br


BOLSAS DE ESTUDOS CURSO DE GESTÃO CULTURAL EM SÃO PAULO



ÚLTIMA TURMA DE 2008 - BOLSAS DE ESTUDOS CURSO DE GESTÃO CULTURAL EM SÃO PAULO


PAGUE SOMENTE O MATERIAL DIDÁTICO
CURSO DE GESTÃO CULTURAL
O curso visa um aprimoramento da área cultural, voltado aos profissionais atuantes do mercado, bem como os aspirantes à produtores culturais. Técnicas de gestão e produção, na teoria e na prática abordamos todos os mecanismos, desde o seu planejamento, legislação - incentivo à cultura federal e estadual com atualizações, proposta comercial (captação de recursos), apresentação dos projetos, prestação de contas, quando da execução
de seu plano, a produção executiva, logística, alvarás e licenças e muito mais...

Dividido em 04 módulos de aprendizado intenso sobre gestão cultural.
Carga horária - 20 horas
Módulo 1:
Marketing Cultural / Plano de Negócios / Planejamento Estratégico / Negociação Módulo 2:
Lei Rouanet - incluindo critérios para produção audiovisual e Programa de Ação Cultural (ICMS - SP) Teoria e Prática
Módulo 3:
Proposta Comercial / Captação de Recursos / Gestão Administrativa / Prestação de Contas
Módulo 4:
Produção Executiva para Artes Cênicas, Shows e Eventos
SÃO PAULO - PACAEMBU
SEDE DA MANUFATURA DA CULTURA
DIAS 08 E 09 DE NOVEMBRO DAS 09h30 às 19h30
VALOR DO CURSO: R$ 800,00 por R$ 130,00

Para pagamento à vista e em dinheiro até o dia 24/10

Consulte-nos sobre valores unitários, outros cursos e promoções.

www.manufaturadacultura.art.br

Informações e ementas: manufatura1@yahoo.com.br

terça-feira, 14 de outubro de 2008

Armadilhas da língua - Tautologia

As armadilhas da língua
Você sabe o que é tautologia?


É o termo usado para definir um dos vícios de linguagem. Consiste na repetição de uma idéia, de maneira viciada, com palavras diferentes, mas com o mesmo sentido.
O exemplo clássico é o famoso 'subir para cima' ou o 'descer para baixo'. Mas há outros, como você pode ver na lista a seguir:

- elo de ligação
- acabamento final
- certeza absoluta
- quantia exata
- nos dias 8, 9 e 10, inclusive
- juntamente com
- expressamente proibido
- em duas metades iguais
- sintomas indicativos
- há anos atrás
- vereador da cidade
- outra alternativa
- detalhes minuciosos
- a razão é porque
- anexo junto à carta
- de sua livre escolha
- superávit positivo
- todos foram unânimes
- conviver junto - fato real
- encarar de frente
- multidão de pessoas
- amanhecer o dia
- criação nova
- retornar de novo
- empréstimo temporário
- surpresa inesperada
- escolha opcional
- planejar antecipadamente
- abertura inaugural
- continua a permanecer
- a última versão definitiva
- possivelmente poderá ocorrer
- comparecer em pessoa
- gritar bem alto
- propriedade característica
- demasiadamente excessivo
- a seu critério pessoal
- exceder em muito.
- destruir completamente


Note que todas essas repetições são dispensáveis. Por exemplo, 'surpresa inesperada'. Existe alguma surpresa esperada? É óbvio que não. Devemos evitar o uso das repetições desnecessárias. Fique atento às expressões que utiliza no seu dia-a-dia. Verifique se não está caindo nesta armadilha.

quarta-feira, 10 de setembro de 2008

Afinal, por que escrever?


Afinal, por que escrever?

Por esses dias, deparei-me com uma pergunta com a qual, imagino, muitos escritores já se depararam em algum momento: por que escrevo? Sim, por que motivo, razão ou circunstância escrevo? Ela me foi feita por um rapaz, por Internet, mas preferi não responde-la de modo tão virtual.
Creio que essa é a questão mais comum de encontrarmos, ainda que não a mais simples, nem mais fácil, de ser respondida. Responder a essa questão, ou melhor, tentar responde-la, além de sanar sua curiosidade, vai sanar um pouco da minha pois, meu amigo, nem eu mesma sei.
No começo, não era sequer escrita, era apenas leitura. Ler com certeza é uma das melhores maneiras de se descobrir escritor. Ora, como saber se gostamos de sorvete de chocolate se nunca provamos? Da mesma maneira podemos pensar: como saber escrever sem gostar de ler?
Pois é, imagino que, se você um dia já leu, se já desenvolveu a leitura por prazer e gostou do que fez e, ainda, se já está viciado, você não necessariamente vai querer escrever, mas as chances de surgir um escritor nessa relação de amor e ódio com os livros aumenta, e muito.
O que vem logo atrás é o querer escrever: um belo dia você acorda com uma vontade de colocar no papel um monte de pensamentos que, de repente, dariam um texto legal. Eis que, nesse momento providencial, uma folha de papel em branco, guardanapo ou papel de embrulho se destacam ao seu olhar. Pronto, não há escapatória...
Tudo bem, aí você escreveu torrentes do que lhe veio à cabeça, matutou, riscou, etc. E agora?
É, amigo, com certeza, a coisa nem começou ainda. Talvez seja nesse ponto que se coloque a bifurcação, cujos caminhos que seguem direções opostas são indicados com as placas “Início” e “Fim”. Os que seguem pelo segundo caminho são os que imaginam que escrever é isso, melhor dizendo, só isso. Eles apenas dão vazão ao que lhes ocorre sem ter preocupação alguma em lapidar o texto, o que sem dúvida desvalorizaria até mesmo um Goethe ou um Cervantes. E caso sejam realmente ambiciosos o bastante para seguir escrevendo, imaginam que escritores nascem prontos – assim como qualquer artista – e gozam de uma situação privilegiada de intérpretes da existência, investidos que são do dom inato(?) da escrita. Está aí um tipo que, com certeza, acaba não indo para frente, não fazendo juízo à designação de escritor. Não que não se deva jogar no lixo o lirismo. Quero dizer que o que não pode é cair no comodismo intelectual de não julgar necessário reler um texto ou poema, estudar gramática ou abri um dicionário.
É aí que, em nossa pequena história, entram os viajantes que seguem o caminho marcado com “Início”. Para esses, ter motivos para escrever, sobre o que escrever – e realmente escrever – é apenas o começo. A questão do talento e amor ao que se faz é muito importante para alguém que se pretenda escritor, e não apenas nesse caso, mas em todas as outras atividades que uma pessoa possa seguir. Por isso, o que faz a diferença do bom escritor – assim como de qualquer outro profissional – é o empenho, a vontade de fazer bem o que se faz e, principalmente, a consciência de que ninguém nasce sabendo tudo, e nunca se pára de aprender.
E é ai que eu queria chegar. Como dito, a questão colocada no princípio, talvez eu não conseguisse responder, não totalmente. O que não signifique que eu não vá tentar. Pensando bem, escrever é um ato de fantasiar, de contar histórias, mas também de colocar para fora o que, por vezes, te alfineta, ou mesmo o que você vê de muito errado e fica indignado com a indiferença do resto do mundo. Escrever é sorrir, é amar, ter a possibilidade de dizer um pouco de você a pessoas que, provavelmente, nunca saberiam da sua existência, nem você da delas. Mas também é chorar, destilar o que te magoa e o que te revolta...
Enfim, a questão é complexa porque rica. Mas uma coisa é certa e, creio eu, todo escritor concorda: escrever não é apenas colocar no papel, em palavras, algo sem sentido e tosco, mas dar a cada idéia, proporção ou sentimento expresso o reluzir singelo e humilde, a fim de permitir que o leitor veja um pouco de você, e quem sabe, um pouco dele também. Afinal, somos todos iguais enquanto seres humanos e o ato de ler geralmente termina no horizonte de um grande espelho te mostrando seu próprio eu no eu de outra pessoa.


Ana Pismel

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Conversa com o Editor - Parte I

Conversa com o Editor
Ciclo de entrevistas



A série de entrevistas Conversa com o Editor, voltada principalmente a escritores, além de interessados por literatura em geral, tem o propósito de tentar elucidar algumas questões sobre a relação editora/escritor, uma vez que é pouco comum que se aborde o tema fora do âmbito específico dessa relação. Um outro propósito é trazer à luz o mercado editorial, para dar ao escritor uma visão dos editores, estudiosos do assunto e profissionais da área.

Por meio de conversas com editores, brasileiros e estrangeiros, como veremos ao longo das entrevistas, será possível avaliar semelhanças e diferenças na perspectiva do mercado editorial nessas duas esferas.



Conversa com o Editor – Parte I

No início da série de entrevistas, temos a oportunidade de conversar com Edson Rossatto 1, escritor e editor da Andross, editora que promove a publicação de escritores iniciantes em antologias, além de outras obras. Visite o site, conheça o catálogo da editora e as antologias em andamento no site www.andross.com.br.


· Edson, antes de mais nada, você poderia traçar um pequeno perfil da atuação da Andross Editora em relação a sua linha editorial e atuação no mercado?

A Andross publica obras de autores em início de carreira. Esses textos são publicados em antologias literárias cujo propósito e divulgar os nomes desses desconhecidos, mas muito talentosos escritores. Alguns autores que estrearam nas antologias da Andross hoje já têm obras publicadas individualmente por outras editoras.


· Ao conhecer a editora é possível constatar que a organização de antologias literárias aparece como um dos segmentos de destaque. Como surgiu a proposta da publicação de obras de escritores iniciantes nesse formato?

A Andross nasceu no campus da Universidade Cruzeiro do Sul, em São Paulo, para abrir espaço no mercado aos alunos que não tinham condições de publicar seus primeiros textos. Depois, transcendemos os muros da universidade.

· Como é feita a divulgação das antologias? Na sua opinião, há uma abertura satisfatória dos meios de comunicação em geral quando se trata de divulgação de livros?

Fazemos divulgações em diversos veículos de comunicação, nas grandes capitais e no interior também. No interior acreditamos que os jornais sejam mais receptivos a divulgações desse tipo, principalmente quando existe algum autor que seja da própria cidade.


· Qual a avaliação que você faria da recepção dessas antologias literárias por parte do mercado e do público? Como foi, por exemplo, a participação da Andross na 20ª Bienal do Livro de São Paulo?


Geralmente a recepção é boa, até porque as pessoas hoje em dia não reservam grandes períodos de tempos à leitura. Então, textos curtos ajudam a suprir essa necessidade.

A participação da Andross na Bienal de São Paulo foi muito boa, embora esse evento seja comercial e seja maquiado de “evento de cultura e arte literária”. Infelizmente, só quem tem lucro nesse evento é o organizador, pois os expositores nem conseguem recuperar o que investiram.


· Mudando levemente de assunto: como se dá a seleção das obras a compor as antologias? Quais os critérios usados nessa seleção? Que qualidades são esperadas de uma obra que se pretenda publicável?


Os autores nos enviam suas obras de acordo com o gênero e a temática. Então o organizador da antologia em questão faz a leitura e julga se: 1) tem coesão e coerência; 2) trata-se de uma trama que desperte a atenção do leitor; 3) as idéias estão bem organizadas. Se isso acontecer, a obra pode ser publicada. Aí, entramos em contato com o autor para os trâmites legais, como o contrato.


· Você poderia delinear, mesmo que superficialmente, o perfil das pessoas que procuram esse meio de publicação?


Geralmente são autores que já tentaram publicar por grandes editoras e deram de cara com a dificuldade do mercado editorial em publicar novos autores.


· Como é, em linhas gerais, a relação da Andross com os autores cujas obras publica?


Muito boa! Geralmente quem publica uma vez com a Andross sempre nos procura para publicar de novo.

· Como editor, que tipo de texto interessa a você na hora de selecionar obras para uma antologia? E no caso de outras publicações, como romances ou obras técnicas, por exemplo?

Como editor, publico qualquer texto que seja de interesse de algum leitor. Nessa profissão, temos de deixar nosso gostos de lado e analisar imparcialmente os textos. Como escritor e leitor, aprecio muito contos de terror e de suspense!

Ainda não temos pretensão em publicar romances. Mas em breve a idéia será estudada.


· É comum fazer a seguinte distinção quando se trata do modo como se publica uma obra: a edição independente, na qual se recorre à uma editora em baixa demanda, ou não, que recebe do autor o pagamento pela publicação; e a edição de uma obra que, aceita por uma editora comercial, transforma-se em uma aposta da parte dela, que corre os riscos da publicação e faz a distribuição dos livros, coisa que não ocorre no primeiro caso. Digamos que, atualmente, a primeira opção seja o início, ou mesmo a opção de escritores iniciantes. Nesse aspecto, você vê a Andross como uma prestadora de serviços (no caso das Antologias), como uma editora comercial (pensando nos outros segmentos nos quais ela atua) ou, ainda, como um misto dessas duas categorias?


Penso na Andross como um primeiro degrau para os autores subirem ao topo do mercado editorial. Tentamos mostrar a cara do autor no mercado, procurando jornais e sites para divulgarmos nossas antologias. Com os livros divulgados, os autores também o são. Assim, podem chegar a uma outra editora maior e dizer: “Ei, já publiquei antes. Não sou um autor novato”.


· Você atua em duas perspectivas, como autor e como editor. Quais são as diferenças e semelhanças dessas duas faces quando se trata de idealizar e editar um livro?


Acho que não há muitas diferenças entre o autor e o editor, com exceção de que o editor tem de ser imparcial no julgamento de um texto, coisa que o autor não precisa.


· Essa última pergunta é colocada em duas faces: no caso de dar um conselho aos escritores que aspiram a uma publicação, ou a uma carreira, qual seria ele, do seu ponto de vista como editor? E enquanto escritor?


Tanto como editor quanto como escritor o conselho é o mesmo: humildade. Ninguém nasce sabendo e a vida é um eterno aprendizado. Ao receber uma crítica em um texto, o autor tem de analisá-la antes de se ofender, o que acontece freqüentemente.



1. Edson Rossatto nasceu em São Paulo, Capital, em 1978. Formado em Letras, trabalha, atualmente, como editor de livros, além de ser professor, palestrante e roteirista de HO. Publicou anteriormente os livros Mansão Klaus e outras histórias e Curta-Metragem, além de ter organizado várias antologias literárias.

Contato com o editor: edson@andross.com.br.

Agradeço a entrevista e desejo muito sucesso a Andross


Ana Pismel

Ofício de Escritor

www.anapismel.ws/oficiodeescritor