O Globo - 06/12/2008 - por Miguel Conde
Nem sempre tão prestigiados quanto os grossos tomos de Direito ou Medicina que eram obrigatórios nas casas dos doutores da época, os livros de ficção, no entanto, eram das leituras mais populares entre os cariocas no início do século XIX. Seu sucesso é atestado pelas edições realizadas pela Impressão Régia, que D. João instalou aqui logo após sua chegada, em 1808. Muitos dos best-sellers do período, porém, estão há décadas esgotados, o que dificulta não apenas a compreensão dos gostos do público leitor oitocentista, mas também do sentido das referências feitas a esses livros em obras de autores brasileiros como José de Alencar e Machado de Assis. Um pequeno, mas importante passo para remediar essa dificuldade acaba de ser dado com a publicação de dois livros co-editados pela prefeitura do Rio: a coletânea 4 novelas em tempos de D. João (Casa da Palavra, 224 pp., R$ 42) e Tesouro de meninas ou diálogos entre uma sábia aia e suas discípulas (Odisséia, 240 pp., R$ 40), seleção das histórias para crianças da francesa Jeanne Marie Leprince de Beaumont, considerada uma das fundadoras da literatura infantil. Organizado pelos historiadores Luiz Carlos Villalta e Lúcia Maria Bastos Pereira das Neves, 4 novelas em tempos de D. João reúne obras de três autores franceses: Paulo e Virgínia, de Bernardin de Saint-Pierre; História de dois amantes, ou O Templo de Jatab, de Claude Godard d’Aucour; e os contos morais A boa mãe e A mãe má, de Jean-François Marmontel. Já Tesouro de meninas tem seleção e prefácio feitas pela escritora Ana Maria Machado. Confira no O Globo uma lista com sugestões de livros do Brasil colonial.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2009
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